Quarta-feira, Setembro 03, 2008, posted by Xónia at Quarta-feira, Setembro 03, 2008
Por entre que trevas me descubro
Ao sabor de uma morte que não chega?

Por entre que incógnitos perfuro
Procurando apenas uma vaga?

Num comum conhecimento taciturno
Por entre cânticos desconhecidos
Percorro o caminho do sono profundo
Partilhado por todos os nascidos.

Num destino sempre esperado
Por todos já conhecido à nascença,
Num conhecimento desesperado
Todos ditamos a nossa sentença!



[Na comemoração de mais um aniversário,
mesmo na tua ausência física,
a memória e a saudade permanecem!
À Raquel, 3/10/1974 - 08/02/2004]
 
Sábado, Fevereiro 09, 2008, posted by Xónia at Sábado, Fevereiro 09, 2008
Hoje, novamente...
Só porque não poderás nunca estar presente, esse presente teu que guardo do qual não fazes parte em Ti, mas em nós!

Desse presente que seria teu hoje, se presente estivesses...


Na luz das velas que por ti se acendem, nunca mais se acenderão para comemorar aquilo que serias... aquilo que foste em Ti!


Incompreensível? Sim... Tão incompreensível quanto a realidade do que não és já...

do que não te tornaste...

do que não foste...

do que nunca serás...

em Ti.


Só em mim, a cada dia de mim serás tu para recordar!


Um beijo,

*Sónia*
 
Quinta-feira, Janeiro 17, 2008, posted by Xónia at Quinta-feira, Janeiro 17, 2008
Há dias em que gosto apenas de imaginar que a vida se gere como um bloco de notas...

Onde as folhas desnecessárias podem ser arrancadas violentamente, amassadas, r a s g a d a s e m m i l p e d a ç o s e chutadas para um canto perdido no caminho que percorremos e rapidamente esquecemos.

Onde posso apenas apagar aquilo que não me agrada...

Onde sempre que quero escrevo as amarguras bem mais pequenas que as alegrias!

Onde posso manipular recordações e sentimentos ao sabor de uma imaginação colorida da fantasia que me ilude.

Onde eu sou quem quero, como quero e o que quero. Onde me afogo na minha própria ilusão fazendo das lágrimas marés de alegrias. Onde vivo o que sonho, tal como sonho! Onde a desilusão não ocupa lugar. Onde eu brinco com as letras companheiras, as palavras acolhedoras e as frases confortantes. Onde pura e simplesmente eu consigo viver esquecendo a ....

























solidão!
























Um beijo,
*Sónia*
 
Terça-feira, Novembro 13, 2007, posted by Xónia at Terça-feira, Novembro 13, 2007
Hoje voltei a encontrar-me em mim num rasgo da imensidão do tempo que esqueci.
E estranhamente não me redescobri, a mim que sempre vi.

O tempo, essa incógnita imensidão de desconhecido usou-me para fazer sentir o seu passar. Não sou eu, desde a última vez que me vi a mim. Bate cada segundo que passou sorrateiramente sussurrando agora no meu peito, com cada segundo que passa.

Em mim resvalam infinidades de eus que carrego em minha existencia. Submergem tantos eus que fui de cada vez que me encontrei comigo. De cada vez que me vi em mim.

Surgem no meu ser seres que não são, a não ser em mim. Serei sempre a soma dessas segundos incognitos que passam, esquecendo-me de ser quem sou, seja eu quem for.

Eu, é o que procuro! O que sempre procurei. Na angustia do incompreensivel que me atormenta ciclicamente a cada segundo que bate agora no meu peito.

Tantas e tão longas batidas segredaram baixinho sem que eu as ouvisse, sem que aquela sensação de vida incómoda me felicitasse a cada manhã! Sem que eu sentisse o seu fluir em mim. Sem me invadir do calor de viver que bombeia a cada momento.

Diluo o que fui, o que não sei que sou e o que serei. Existo enquando não redescubro em mim o eu que sou, numa imensa escuridão incógnita que me assalta gritando, finalmente!


Um beijo,
*Sónia*
 
Segunda-feira, Abril 09, 2007, posted by Xónia at Segunda-feira, Abril 09, 2007
O tempo fluiu em mim... Amadureceu em nós. Com o frio que me abraça hoje tenho tempo para escrever. Tempo que saudosamente recordava, e hoje desejava não ter!


Recordo quase esquecida, ainda com saudade, da vida iludida que levava, enganando-me com amores onde só a ti procurava. Mas neles, nunca te encontrava...


Não sei ainda como não te reconheci! Por entre beijos e carícias, por entre palavras e delícias... Via-te no sonho da ilusão!


E como me enganei... Hoje, hoje que escrevo abraçada pelo tempo e pelo frio... Mergulhada na saudade que me estremece... Hoje, hoje percebo que tudo não é ilusão! Percebo que o tempo que não tinha era apenas o brilho da falta de saudade... A magia da tua presença que hoje, hoje anseio!


Sinto-me uma criança à espera do pai natal contando os segundos para uma notícia tua... Esperando ansiosa a tua chegada... E desespero explodindo a cada bater do coração!


Amor, sim! Depois.. Só depois de te procurar em cada ilusão que tive te encontrei... Quando já não acreditava ser possível... Quando sabia que tu não passavas de mais um sonho... Finalmente enganei-me! E hoje, agora! Sei... És o sonho que procurava sem já acreditar... Foi por ti que sempre procurei... E hoje...



Hoje... Agora... Sempre... Tu!



Um beijo,
*Sónia*
 
Sexta-feira, Março 16, 2007, posted by Xónia at Sexta-feira, Março 16, 2007

Castigai-me, Deus
por ter frio debaixo dos cobertores!

Castigai-me, Deus
por ter fome com comida na dispensa!

Castigai-me, Deus
por ter sono quando acordo!

Castigai-me, Deus
por não gostar de alguns dos meus livros!

Castigai-me, Deus
por não me agradar o que hoje dá na minha televisão!

Castigai-me, Deus
por hoje não ter cumprimentado todos os meus amigos!

Castigai-me, Deus
por não querer estar com a minha família!

Castigai-me, Deus
por reclamar com o meu serviço da internet!

Castigai-me, Deus
por não saber que roupa minha escolher para vestir quando acordo!

Castigai-me, Deus
por não querer trabalho e procurar emprego!

Castigai-me, Deus
por não querer comer o que tem ingredientes que não gosto!

Castigai-me, Deus
por não querer estar sempre em minha casa!

Castigai-me, Deus!

Castigai-me, Deus!
Por tudo o que faço, por tudo o que tenho!

Castigai-me, Deus!

Castigai-me, Deus
por tudo o que lhes falta!

Castigai-me, Deus!
E tirai-me...

Tirai-me, Deus
os cobertores a mais, mesmo os velhos e rotos que ainda aquecem!

Tirai-me, Deus
a comida que deito fora, mas que tira a fome!

Tirai-me, Deus
algumas das horas de sono, mesmo as mal dormidas, mas que recuperam!

Tirai-me, Deus
alguma da minha educação, dos meus livros e do que sei! Mesmo que não seja muito...


Tirai-me, Deus
uma das minhas televisões velhas que quero substituir, um dos meus vídeos ultrapassados, um dos meus leitores de dvd, mas que me entretêm durante o dia!

Tirai-me, Deus
alguns dos amigos que tenho, alguns dos conhecidos, alguns dos colegas. Tirai-me até algumas das pessoas mal dispostas e antipáticas, mas que ainda me falam!

Tirai-me, Deus
algumas das discussões e mal entendidos da minha família, que me ama!

Tirai-me, Deus
um dos meus computadores que até têm virus às vezes, mas funcionam!

Tirai-me, Deus
tanta da minha roupa que me poe indecisa a cada manhã, mas aquece o corpo durante o dia!

Tirai-me, Deus
cada trabalho que recuso e já recusei, mas com um vencimento ao fim do mês!

Tirai-me, Deus
cada ingrediente da minha vida que encosto na beira o prato!

Tirai-me, Deus
uma casa que me pertença, que tantos defeitos tem, mas abriga da chuva e do frio!

Tirai-me, Deus!

Tirai-me, Deus!
Tudo o que faço, tudo o que tenho!

Tirai-me, Deus!

Tirai-me, Deus
tudo o que lhes falta!

E castigai-me, Deus!
A mim que tão pouco tenho!
E tirai-me...
Se for isso preciso!

E dai-lhes...
Pelo menos uma vez!
Dai-lhes mais do que pedem!
Dai-lhes hoje um pouco,
além daquilo que já precisam!

Eu voluntario-me!
Castigai-me, Deus
como os castigais a eles!



Peço desculpa pelo tamanho...

Um beijo,

*Sónia*
 
Quarta-feira, Março 14, 2007, posted by Xónia at Quarta-feira, Março 14, 2007
Graças ao João, meu maninho...
Este foi o resultado. Para quem tiver paciência para ouvir :)

http://www.estudioraposa.com/
lugar aos outros nr 44

Devo um agradecimento não só ao Joao pela persistência e pelo trabalho que ele próprio teve, mas também, claro, ao Luis Gaspar pela honra que me dá ouvir os textos que escrevi. Quase acreditei que se tornam mágicos, quando lidos!

Obrigada! :)


Um beijo,
*Sónia*
 

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